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Sobre

Sussurros do Coração (1995) ocupa um lugar especial dentro da filmografia do Studio Ghibli por representar uma transição delicada entre gerações e estilos dentro do estúdio. Foi o primeiro longa dirigido por Yoshifumi Kond?, animador veterano e pupilo direto de Hayao Miyazaki e Isao Takahata, e marcou a tentativa do estúdio de formar um novo sucessor capaz de dar continuidade à filosofia Ghibli.

Baseado em um mangá de Aoi Hiiragi, o filme nasceu de um roteiro escrito por Miyazaki, que explorava temas muito próximos de seu próprio imaginário: o talento, o amadurecimento e o desafio de transformar sonhos em realidade. No entanto, Kond? trouxe uma abordagem mais intimista e realista, com ritmo contemplativo e foco em detalhes cotidianos, o que conferiu ao filme uma sensibilidade única dentro do catálogo do estúdio.

Diferente das aventuras fantasiosas que tornaram o Ghibli mundialmente conhecido, Sussurros do Coração se destaca por retratar a vida comum com profundidade emocional, celebrando a beleza do processo criativo e o impacto das pequenas decisões na formação da identidade. Essa perspectiva fez dele um contraponto aos mundos imaginários de Miyazaki, reforçando o lado humano e poético da produção do estúdio.

Dados Técnicos

Direção
Yoshifumi Kondo
Produção
Toshio Suzuki
Roteiro
Hayao Miyazaki
Baseado em
Mimi o Sumaseba de Aoi Hiiragi
Gênero
Romance
Música
Yuji Nomi
Produtora
Studio Ghibli
Distribuição
Toho
Lançamento
15 de julho de 1995

Sinopse

Shizuku Tsukishima é uma adolescente apaixonada por livros que passa os dias mergulhada em histórias e sonhando com o futuro. Ao perceber que todos os livros que pega na biblioteca já foram lidos por um mesmo garoto chamado Seiji Amasawa, ela fica intrigada e decide descobrir quem ele é.

O encontro entre os dois desperta em Shizuku o desejo de encontrar sua própria voz e descobrir o que quer fazer da vida. Enquanto Seiji sonha em se tornar um mestre luthier na Itália, Shizuku decide se testar como escritora, enfrentando suas inseguranças e aprendendo o valor do esforço e da autodescoberta.

Informações extras

• Primeiro e único filme dirigido por Yoshifumi Kondo: animador veterano do Studio Ghibli e considerado o sucessor natural de Miyazaki e Takahata. Sua morte prematura em 1998, aos 47 anos, foi um grande impacto para o estúdio e encerrou os planos de transição de liderança.

• Roteiro de Hayao Miyazaki: o filme é baseado no mangá homônimo de Aoi Hiiragi, mas Miyazaki escreveu o roteiro e supervisionou o projeto de perto. Ele incluiu elementos originais que não estavam no mangá, como o personagem Barão Humbert von Gikkingen, o gato elegante que depois ganharia seu próprio filme (O Reino dos Gatos, de 2002).

• Primeira produção inteiramente ambientada em Tóquio: ao contrário dos mundos rurais e fantásticos típicos do Ghibli, Sussurros do Coração se passa em bairros suburbanos reais, especialmente na região de Tama. Miyazaki quis retratar a beleza do cotidiano japonês moderno com realismo e leveza.

• Simbolismo do Barão: o gato Barão representa a imaginação e o espírito criativo de Shizuku. As cenas de fantasia em que ele aparece foram desenhadas por Miyazaki, que queria visualizar a história que a protagonista estava escrevendo.

• Detalhismo visual: o nível de realismo dos cenários é notável, com iluminação, topografia e até lojas baseadas em locais reais de Tama.

Produção

Durante a produção de Sussurros do Coração, as sequências de fantasia foram ilustradas pelo artista Naohisa Inoue, conhecido por suas paisagens oníricas e detalhadas. Inoue mais tarde voltou a colaborar com o Studio Ghibli em Iblard Jikan (2007), um curta-metragem que expande o universo visual apresentado nessas cenas do filme, transformando suas pinturas em animação.

A xilogravura do violinista preso, exibida em um momento simbólico da história, foi criada por Keisuke Miyazaki, filho de Hayao Miyazaki, que é escultor profissional. A obra foi feita especialmente para o filme, refletindo o tema central da criatividade e do esforço artístico.

Os cenários do longa foram inspirados em locais reais da região de Seiseki-Sakuragaoka, na cidade de Tama, Tóquio, onde Miyazaki morava na época. As ruas, escadarias e lojas retratadas no filme foram reproduzidas com precisão, e o bairro acabou se tornando um ponto de peregrinação para fãs do Studio Ghibli.

Além disso, o filme foi exibido originalmente nos cinemas japoneses junto com o videoclipe animado “On Your Mark”, dirigido por Hayao Miyazaki e produzido pelo Studio Ghibli para a dupla musical Chage & Aska. O curta, totalmente distinto de Sussurros do Coração, apresenta uma narrativa futurista e experimental, e foi concebido como uma pausa criativa de Miyazaki durante a produção de longa duração do estúdio.

Sobre a música

A música em Sussurros do Coração é um dos elementos mais marcantes do filme. A trilha sonora foi composta por Yuji Nomi, que criou uma atmosfera leve e emocionalmente envolvente para acompanhar o tom íntimo da história.

Durante o filme, Shizuku traduz a canção “Take Me Home, Country Roads”, de John Denver, para o japonês, como parte de um projeto do clube de coro de sua escola. Inspirada pela música, ela escreve também uma versão bem-humorada chamada “Concrete Road”, que fala sobre sua própria cidade no oeste de Tóquio, transformando a letra em uma brincadeira sobre a vida urbana.

As versões japonesas da música foram realmente traduzidas por Mamiko Suzuki, filha do produtor Toshio Suzuki, com letras complementares escritas por Hayao Miyazaki. Essas canções têm papel essencial na narrativa, simbolizando o crescimento pessoal de Shizuku e sua busca por uma identidade criativa.

A canção original “Take Me Home, Country Roads”, na voz de Olivia Newton-John, é ouvida durante a sequência de abertura do filme, estabelecendo o tom nostálgico e sonhador da história. Mais tarde, a música também é interpretada pela atriz Yoko Honna, que dá voz a Shizuku, reforçando o elo entre a personagem e o tema central do filme.

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Trilha Sonora

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