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Nos últimos dias, uma nova tendência tomou conta das redes sociais: usuários utilizando inteligência artificial para transformar suas fotos em imagens que imitam o estilo visual do Studio Ghibli. A trend ganhou força especialmente a partir do dia 25 deste mês, com a nova atualização da ferramenta GPT-4o, que permitia a geração de imagens a partir de descrições de texto. No entanto, a OpenAI rapidamente bloqueou pedidos que tentavam replicar o estilo de artistas vivos, incluindo a icônica estética Ghibli. Mas por que essa prática gerou tanta discussão?

Arte conceitual para A Viagem de Chihiro (2001) | Studio Ghibli

A Filosofia do Studio Ghibli e a Contradição com as Criações por IA

O Studio Ghibli é amplamente reconhecido não apenas por seu estilo visual, mas também por sua filosofia artística e valores profundos. Hayao Miyazaki, um dos fundadores do estúdio, sempre defendeu a arte feita à mão e criticou fortemente o uso excessivo da tecnologia na criação de animações. Em entrevistas, ele expressou preocupação com a mecanização da arte, argumentando que a verdadeira expressividade vem do esforço humano, da emoção e da experiência de vida.

Um exemplo claro de como Miyazaki leva isso a sério, em filmes como Princesa Mononoke, estima-se que o cineasta supervisionou pessoalmente cada uma das 144.000 células de desenho do filme e que redesenhou partes de 80.000 delas.

A tentativa de emular o “estilo Ghibli” por meio da IA entra em conflito direto com esses princípios. A criação de imagens automatizadas baseadas em padrões estatísticos e grandes volumes de dados contrasta com o meticuloso processo artesanal pelo qual os filmes do estúdio são produzidos.

Arte conceitual para Princesa Mononoke (1997) | Studio Ghibli

A Discussão Sobre Propriedade Artística e Respeito aos Criadores

Outro ponto levantado por artistas e fãs do Studio Ghibli é a questão da propriedade artística e do respeito pelo trabalho original. O estilo do estúdio foi desenvolvido ao longo de décadas por animadores, diretores de arte e designers dedicados. Utilizar IA para imitar esse trabalho pode ser visto como uma forma de desvalorizar o esforço humano por trás das obras originais.

Além disso, o uso dessas ferramentas levanta questões éticas sobre direitos autorais e reconhecimento artístico. Muitos profissionais da indústria da animação e ilustração já expressaram preocupação com a possibilidade de a IA substituir ou minar o valor do trabalho humano na criação artística.

Arte conceitual para Vidas ao Vento (2013) | Studio Ghibli

O Futuro da Arte na Era da Inteligência Artificial

A tendência das imagens “estilo Ghibli” geradas por IA pode ser passageira, mas levanta questões que permanecerão em debate por muito tempo. O respeito pela arte tradicional e pelos criadores originais deve continuar no centro dessa discussão, garantindo que a tecnologia seja usada de forma ética e consciente, sem comprometer o valor da expressão humana.

Nós acreditamos na autenticidade e na ética de preservar os artistas e seus trabalhos autorais. A inteligência artificial, ao emular o estilo do Studio Ghibli, fere os princípios da animação tradicional do estúdio e desvaloriza o esforço humano por trás dessas obras. A melhor forma de levar o conhecimento sobre o Studio Ghibli adiante é apreciando e divulgando seus trabalhos originais e buscando conhecer cada vez mais sua história e relevância para o mundo da animação.

Amanda

Editora-chefe e a responsável pela Studio Ghibli Brasil. Faz a curadoria dos temas que são divulgados tanto aqui quanto nas redes sociais, escrevendo também as matérias para o site.